13 Jul
Categoria: Úteis e Fúteis - 8:02 pm

(Como sempre quando finalmente o faço) já faz um tempinho que não posto meus comentários, achismos e/ou percepções de mundo por aqui. Sabem com é a vida na megalópole, a distância entre as coisas, o trânsito conturbado, etcetera e tal. Todo mundo reclama da falta de tempo no dia-a-dia, que as horas passam voando, que o dia deveria ter mais horas, coisa do tipo. Isso é algo que afeta de modo geral a população, independente do nível de educação, classe social ou estereótipo — todos sentem que falta tempo para fazer tudo que gostaríamos.

Algumas correntes filosóficas como o budismo e o conhecimento maia falam algo sobre cinco possíveis degradações previstas e uma delas seria a do tempo. Os cientistas já provaram que realmente está acontecendo uma aceleração cósmica e que a tendência é aumentar mais ainda se as coisas continuarem como estão.

“Pô, eu já achava pouco e você vem me dizer que tem menos ainda?”. Não estou dizendo, mas sim compartilhando tal hipótese. Comecei a perceber isso poucos anos atrás, utilizando a distância como referencial. Explico: visitando meus pais no interior do estado, na minha querida Little Gold, vezoutra eu percorria um caminho de casa ao posto de gasolina. A trajetória era geralmente feita caminhando na ida, dirigindo na volta. Um dia, após achar a caminhada muito demorada, resolvi marcar na volta a distância por mim percorrida na ida, pois o percurso era praticamente eqüidistante nas duas. Para minha surpresa descobri que era pouco mais de 1km, o qual eu demorava algo entre 15-20 minutos para percorrer sem pressa.

Continuei a experiência na capital, na minha (também) querida Avenida Paulista, a qual já percorri de cabo a rabo trocentas e dez vezes, indo e voltando mais de uma vez por dia entre suas extremidades. Levo cerca de 45 minutos para percorrer a famosa “trajetória análoga ao matrimônio”, do Paraíso à Consolação. Vocês não imaginam o quão mais rápido esses 45 minutos urbanos passaram quando comparado aos 15 minutos interioranos. Por um caminho quase três vezes maior (tanto em minutos do relógio quanto em distiancia física) com seus cartazes, pessoas, sons & afins, a percepção de passagem tempo é bem diferente que no caminho menor, quase campestre, com seus terrenos baldios, passantes ocasionais e o cantar dos pássaros. A falta de estímulos externos nos deixa mais presente, sentindo mais o passar do tempo. Quando somos bombardeados por informação a mente, mais estímulada, “pensa mais”, o que gasta não só tempo como também energia pessoal (por isso o surgimento do cansaço e stress urbano).

Citando o sábio mestre-espiritual greco-armênio Georges Ivanovich Gurdjieff, “o tempo é proporcional ao fluxo das associações; ele é relativo”. Gurdjieff prossegue, exemplificando: “Você está sentado calmamente em casa; acredita que esteve sentado cinco minutos, mas ao olhar para o relógio vê que passou uma hora sentado. Noutra ocasião, está esperando alguém na rua; fica irritado porque a pessoa não chega. Você pensa que está ali há uma hora, enquanto não se passaram cinco minutos. A razão disso é que, durante esse tempo, teve muitas associações. Pensava: “por que ela não chega? Será que foi atropelada? ßerea que não vem?” E assim sucessivamente.(…) O tempo é subjetivo, depende das associações. (…) Exteriormente o tempo não existe; só existe para nós interiormente.”

Na minha opinião, devemos prestar mais atenção a como utilizamos nosso tempo. Estar mais presente em cada mínimo ato, perceber-se realizando cada gesto, com certeza poupará uma boa energia de ser desperdiçada, convertendo-a em tempo para se fazer tudo que se julga necessário. Pressa gera mais atraso, cogitações mais dúvidas e assim por diante. Quando se sentir “atrasado”, “sem tempo”, faça o contrário do que você faria normalmente: (se possível) sente-se, respire fundo e calmamente pelo menos três vezes e tente esvaziar a mente por um décimo de segundo que seja; busque o frame vazio que liga um pensamento ao outro. Uma vez esse micromomento percebido, seu tempo renderá muito mais.

Have a nice time!

Sugestão de relógio para os tempos modernos.

Leonardo Defente

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